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Seminário online

Sures Migrantes

Olhares sobre as migrações do, no e a partir do Sul Global

Apresentação

Sures Migrantes (Suis Migrantes) é um seminário online dedicado a estabelecer um espaço dinâmico de diálogo sobre as migrações do, no e a partir do Sul Global. A iniciativa, coordenada pelo pesquisador Thales Speroni (Centro Norbert Elias/CNRS), em parceria com a Revista Périplos e o Grupo de Trabalho de Migrações e Fronteiras da CLACSO, reúne pesquisadores(as) em formação, acadêmicos(as) consolidados(as) e ativistas em um fórum inclusivo e participativo.

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O programa promove o diálogo entre perspectivas disciplinares, epistêmicas e geográficas diversas, fomentando análises críticas das relações de poder inerentes tanto às dinâmicas migratórias quanto à produção de conhecimento neste campo. As sessões temáticas, realizadas em espanhol, português e francês, congregam participantes de diferentes países e áreas do conhecimento, cujas contribuições sobre territórios e mobilidades no Sul Global visam fortalecer redes internacionais de cooperação acadêmica.

Este espaço colaborativo busca descentralizar a produção científica sobre migrações e impulsionar o desenvolvimento de produtos acadêmicos coletivos, contribuindo para uma compreensão mais plural e crítica dos fenômenos migratórios contemporâneos. Os diálogos estabelecidos neste seminário pretendem criar condições para a emergência de novas perspectivas e abordagens no campo dos estudos migratórios.

Sessões

  1. 29 de outubro de 2026: Sabores do trabalho transatlântico: sorveteiros ítalo-brasileiros na Alemanha

    Palestrantes
    Diane Portugueis Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) Stéphanie Mercier Bayerischer Rundfunk (BR)
    Horário
    • 17 h · CET
    • 13 h · AR/BR/CL
    • 12 h · BO/VE
    • 11 h · CO
    • 10 h · MX
    Idioma
    Apresentação em português; debate em português e espanhol
    Biografias

    Diane Portugueis é psicóloga e doutora em Psicologia Social pela PUC-SP (2018). Fez a tese sob orientação de Antonio da Costa Ciampa, em cotutela com o Institut für Migrationsforschung und Interkulturelle Studien (IMIS) da Universidade de Osnabrück, e realizou pós-doutorado na PUC-SP (2020–2024). É professora da graduação em Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Pesquisa os sorveteiros ítalo-brasileiros de Urussanga que trabalham sazonalmente nas sorveterias italianas da Alemanha, numa etnografia multissituada entre o sul de Santa Catarina, a região de Longarone e do Vajont, na Itália, e cidades alemãs. É autora de Vidas em trânsito: sorveteiros ítalo-brasileiros entre Itália, Alemanha e Brasil como (não) lugares (Paco Editorial, 2024).

    Capa do livro Vidas em trânsito, de Diane Portugueis (Paco Editorial, 2024) (site externo)

    Stéphanie Mercier é jornalista franco-alemã do Bayerischer Rundfunk (BR), em Munique, onde produz reportagens para televisão, rádio e internet, incluindo o programa Abendschau. Sua investigação sobre os trabalhadores brasileiros das sorveterias italianas na Alemanha a levou de sorveterias alemãs ao sul de Santa Catarina e à Itália. O trabalho resultou numa reportagem publicada em agosto de 2026 na Süddeutsche Zeitung Magazin.

    Resumo

    Todo mês de março, milhares de brasileiros do sul de Santa Catarina partem para as sorveterias italianas da Alemanha, de onde só voltam em outubro. O circuito tem uma origem improvável. A tragédia do Vajont, que em 1963 destruiu Longarone e matou quase duas mil pessoas, reaproximou sobreviventes e descendentes de emigrados e levou, em 1991, ao acordo de cidades-irmãs entre Longarone, na Itália, e Urussanga, no Brasil. Pouco depois, esse reencontro afetivo se converteu em rota de recrutamento laboral. A engrenagem se sustenta no passaporte italiano obtido pelos descendentes de emigrantes. Esse documento funciona não apenas como reconhecimento do pertencimento a uma italianidade transoceânica, mas também como condição de empregabilidade na Alemanha. Juridicamente europeus, esses trabalhadores vivem como extracomunitários: enfrentam jornadas de doze horas, moradias que se confundem com o próprio emprego e uma fiscalização quase inexistente de suas condições. Os sonhos e o cálculo econômico costumam fechar, com a casa, o carro e a ascensão material, mas o cálculo biográfico e emocional não. Permanece uma liminaridade sem data de encerramento, cujos custos psíquicos atingem quem parte e quem fica, como os chamados “órfãos de Urussanga”, crianças criadas por avós e vizinhos.

    Nesta sessão, que conta com o apoio do projeto “Ancestral Citizenship in Europe”, cruzam-se a etnografia de Diane Portugueis, que apresenta aqui o livro Vidas em trânsito, e a investigação jornalística de Stéphanie Mercier. Com elas, discutiremos a cidadania por ascendência como recurso desigualmente distribuído, mediado por um mercado de consultorias e tensionado pelo endurecimento da lei italiana de 2025. E nos perguntaremos o que a pesquisa acadêmica e o jornalismo investigativo podem fazer um pelo outro para dar visibilidade a fenômenos migratórios que permaneceram, por décadas, sem nome e sem número.

  2. 17 de setembro de 2025: Mobilidades haitianas, redes transnacionais e casas da diáspora

    Palestrante
    Handerson Joseph Universidade Federal do Rio Grande do Sul
    Idioma
    Francês; perguntas em português, espanhol e francês
    Biografia

    Handerson Joseph é doutor em antropologia social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na École normale supérieure e na École des hautes études en sciences sociales, em Paris. É professor do Departamento de Antropologia e coordenador do programa de mestrado e doutorado em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil. Diretor da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), Brasil. Cocoordenador do GT CLACSO “Migraciones y Fronteras Sur-Sur”, Argentina.

    Resumo

    A apresentação tem por objetivo analisar as relações entre as casas e as mobilidades transnacionais no mundo social haitiano, bem como seus modos de governo. Baseia-se em pesquisas etnográficas prolongadas realizadas em Fonds-des-Nègres (Haiti) e em Caiena (Guiana Francesa), que permitem acompanhar as trajetórias migratórias dos haitianos. É recorrente entre os haitianos o uso do conceito de “diáspora” para diferenciar as casas: kay dyaspora (casa diáspora), kay lokal (casa local) e kay nan dyaspora (casa na diáspora). Minha apresentação se concentra especialmente em duas casas, uma “diáspora” e outra “local”, a fim de mostrar como a construção das casas e seu mobiliário refletem os vínculos que as pessoas haitianas em mobilidade transnacional estabelecem entre si, com os lugares para onde se deslocam e com suas casas de origem, onde às vezes contam com um eritaj (herança). Em que medida a dinâmica das casas e sua diferenciação iluminam o mundo social haitiano, em particular as mobilidades transnacionais de seus atores? Como, reciprocamente, esse mundo em movimento nos informa sobre a dinâmica das casas, sobre suas relações e sobre os vínculos entre as casas e os objetos que as habitam?

  3. 25 de junho de 2025: Migração dirigida e estratégia de interiorização: uma análise da Operação Acolhida e das migrações venezuelanas no Brasil

    Palestrante
    Vicente Ribeiro Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
    Idioma
    Português; perguntas em português, espanhol e francês
    Biografia

    Vicente Ribeiro é professor de História da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ambas no Brasil. Pesquisa os processos migratórios no Brasil, especialmente as migrações venezuelana e haitiana para a região Sul.

    Resumo

    Nos últimos anos, o Brasil consolidou-se como um destino relevante para a migração venezuelana, tendo na Operação Acolhida um programa central para organizar a recepção na fronteira e promover a interiorização dos migrantes. Estruturada em três pilares — ordenamento da fronteira, abrigamento e interiorização —, a Operação possibilita o deslocamento voluntário de venezuelanos para diferentes regiões do país. Esta comunicação analisa a estratégia de interiorização à luz do conceito de migração dirigida, buscando compreender os fatores que orientam a escolha dos destinos prioritários. A partir da análise de registros administrativos de áreas como educação, trabalho e assistência social, identificam-se novos destinos migratórios, com destaque para zonas industriais do interior em contraste com os grandes centros urbanos. Por fim, discute-se o papel do recrutamento de trabalhadores em contextos de resposta humanitária e sua relação com a política migratória brasileira.

  4. 13 de dezembro de 2024: As migrações e as mudanças no mundo do trabalho: olhares a partir da América Latina

    Palestrantes
    Antonella Delmonte Allasia IIEGE, CONICET, UBA, Argentina Clara Lemme Ribeiro University of Washington, EUA Verónica Trpin CONICET/Universidad Nacional del Comahue
    Idioma
    Espanhol; perguntas em português, espanhol e francês
    Resumo

    No atual contexto de transformação neoliberal e de novos processos de acumulação do capital, este seminário virtual busca gerar um espaço de reflexão e diálogo sobre a histórica e complexa relação entre trabalho e migrações a partir de perspectivas contemporâneas. Vamos nos concentrar especialmente em analisar como as mudanças no mundo do trabalho afetam as comunidades migrantes e suas inserções laborais no contexto latino-americano, contemplando tanto migrantes dentro da América Latina quanto latino-americanos em outros continentes. Entre outros casos, abordaremos a inserção e a segregação laboral de diferentes comunidades latino-americanas tanto na indústria da confecção do Brasil e da Argentina quanto no trabalho agrícola da Argentina, bem como os processos de desqualificação da migração latino-americana com destino aos Estados Unidos. Nesses casos, buscamos enfatizar os efeitos particulares que a globalização neoliberal tem sobre suas condições cotidianas de vida e de trabalho.